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A conta do aquecimento

Parte do Texto de Luiza Dalmazo – Revista Exame – dezembro/2008

Dezembro de 2009 é o prazo final para que países emergentes e desenvolvidos cheguem a um acordo sobre o controle de emissões - e o impasse permanece

O ano de 2008 foi um dos dez mais quentes dos últimos 160, de acordo com a Organização Mundial de Meteorologia. Em 2009, o que deve esquentar são as discussões sobre o futuro do planeta. Estão na reta final as negociações das metas para a segunda fase do Protocolo de Kyoto, o acordo global que tem o objetivo de reduzir as emissões dos gases que causam o efeito estufa. A primeira fase, que entrou em vigor de fato em 2004 e vai até 2012, estabeleceu limites de emissões apenas para os países industrializados. Mas, a partir da próxima etapa, todos os signatários do documento podem ser chamados a dar sua contribuição no combate ao aquecimento global - e isso inclui as estrelas emergentes China, Índia, Rússia e Brasil. O prazo para que se chegue a um acordo sobre o formato da segunda fase de Kyoto se esgota em dezembro de 2009. É pouco tempo, diante das enormes diferenças diplomáticas que ainda dividem ricos e emergentes e das dúvidas sobre a postura dos Estados Unidos sob nova administração.

Uma das grandes quedas-de-braço que se anunciam para o próximo ano é a que vai opor os países do bloco Bric e as nações industrializadas. Brasileiros, russos, indianos e chineses alegam que não podem ser obrigados a pagar a conta da industrialização do mundo desenvolvido, que durante mais de um século poluiu a atmosfera sem nenhuma preocupação com o clima. Reduzir as emissões, segue o argumento, significa frear o crescimento econômico de países que só nos últimos anos viveram uma fase de aceleração econômica. Mas o indiano Rajendra Pachauri, presidente do órgão da ONU responsável por Kyoto e vencedor do Nobel da Paz de 2007, refutou essa linha de raciocínio de forma categórica na mais recente negociação internacional, realizada no início de dezembro, na Polônia. Para que o aumento da temperatura média global fique no aceitável nível de 2 graus centígrados, afirmou Pachauri, a atividade econômica teria de pagar um preço modesto. "O custo seria de 3% do PIB mundial em 2030", disse ele.

Ainda não há nenhuma definição sobre o que vai acontecer dentro de três anos. Mas, se os emergentes tiverem mesmo de cortar suas emissões, haverá duas situações bastante distintas. China e Índia serão forçadas a encontrar formas para substituir a queima de carvão nas usinas termelétricas que empurram seus respectivos milagres econômicos. A carga maior, portanto, recairá sobre as empresas. No Brasil, cuja eletricidade vem em sua maior parte das ambientalmente corretas hidrelétricas, a receita seria um combate decidido ao desmatamento da Amazônia, responsável por três quartos das emissões de CO2 do país. O governo brasileiro apresentou na reunião polonesa um plano de diminuir em 40% a devastação florestal até o final de 2009. O plano tem ainda duas fases seguintes, que vão até 2017 e têm metas igualmente agressivas.


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