É importante saber que o cérebro possui bilhões de neurônios e eles não trabalham sozinhos, trabalham em grandes conjuntos. Os conjuntos de neurônios são chamados de “circuitos” ou “redes neurais”. Entende-se dessa forma que cada neurônio ou o conjunto deles tem um trabalho cooperativo, que acabará possibilitando a leitura, então poderíamos imaginar que se são os neurônios os responsáveis pela leitura, então também pode-se acreditar que existem os neurônios da leitura.

Como dito, sabe-se que os neurônios trabalham em redes e conexões. Existe uma hipótese chamada de “reciclagem neural”, que diz que quando aprendemos a ler, o nosso cérebro converte uma parte da hierarquia neural a reconhecer letras e palavras. No caso dos neurônios que se referem à leitura, podemos citar os neurônios bigramas. Eles se tornam muito especiais pelo fato de responder a todas as palavras que tenham um certo par de letras. Independentemente do sistema da escrita, a região ativada da leitura continua sendo a mesma.

O alvo do ensino da leitura é, pois, claro: preciso colocar essa hierarquia no cérebro, a fim de que a criança possa reconhecer as letras e os grafemas e os transformar facilmente em imagens acústicas de sua língua. Todos os outros aspectos essenciais do sistema escrito – a aprendizagem da ortografia, o enriquecimento do vocabulário, as nuances do sentido, o prazo do estilo – dependem disso diretamente. (DEHAENE, 2012 p 236)

A decodificação fonológica das palavras é essencial para o processo de leitura. É importante saber, enquanto educadores e/ou responsáveis, que devemos compreender as fases pelas quais o cérebro deve passar, saber que para uma palavra ser decodificada, ela antes precisa ser recompostas em letras, bigramas, sílabas, morfemas… A leitura paralela e rápida não é senão o resultado último, no leitor competente, de uma automatização dessas etapas de decomposição e recomposição, assim como afirma Dehaene. 

Sabendo disso é possível relacionar que existem explicações para um aluno que se adapta melhor a uma determinada metodologia pedagógica do que o outro, pois nossos comportamentos, emoções, estados e processos neurais se desenvolvem no cérebro.

É importante lembrar que a neurociência não propõem uma nova pedagogia e nem promete uma solução rápida ou definitiva para as dificuldades de leitura, aprendizagem ou qualquer outra que ocorra com a criança no período em que está dentro da escola/sala de aula.

Podem, contudo, colaborar para fundamentar práticas pedagógicas que já se realizam com sucesso e sugerir ideias para intervenções, demonstrando que as estratégias pedagógicas que respeitam a forma como o cérebro tendem a ser mais eficientes. (CONSENZA e GUERRA, 2011 p. 143)

Nesse enfoque, podemos então ter consciência e acreditar que a pedagogia irá se beneficiar de tal conhecimento neurocientífico, poderia então abordar dificuldades vivenciadas em sala, inclusive as de leitura, explorando o cérebro e suas potencialidades. Poderíamos ser educadores de mais sucesso se melhorássemos a qualidade do nosso conhecimento em relação ao cérebro, compreendendo como a criança aprende, como se desenvolve, como se processa a leitura no aprendiz do qual tal responsabilidade de educar encontrasse com o pedagogo.

Por Waleska Brito, coordenadora da educação infantil.

 

REFERÊNCIAS

COSENZA, Ramon Moreira; GUERRA, Leonor Bezerra. Neurociência Educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

DEHAENE, S. Os Neurônios da Leitura. Porto Alegre: Penso, 2012.